
Apresentado como candidato a vice-presidente na chapa de Renan Santos pelo partido Missão, militar da reserva Aroldo Medina participou de atos antidemocráticos após as eleições de 2022 e visitou o acampamento golpista montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, de onde partiram os manifestantes dos ataques de 8 de Janeiro.
Vídeos gravados em dezembro daquele ano, após a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mostram o tenente-coronel da Polícia Militar do Rio Grande do Sul enaltecendo os “patriotas” e registrando pedidos de intervenção das Forças Armadas, direcionados inclusive ao general Marco Antônio Freire Gomes, antigo comandante do Exército.
“Este povo é ordeiro e pacífico. Pessoas de todo o Brasil, famílias, adultos, crianças e pets, isso reflete muito a índole e o caráter desse povo. O povo brasileiro está muito bem representado nesse acampamento. Aqui não há brigas. Vim aqui a trabalho e aproveitei para visitar o acampamento dos patriotas”, alega o militar em um “documentário” produzido por uma simpatizante de Bolsonaro.
Alô @Aroldo_Medina é o senhor aqui nessa marcha, capitão? 🫡
O senhor era um gado bolsonarista que rezou muito pra pneu? pic.twitter.com/eyliBe0Ozj— Leo Kasper (@LeoKasper21) July 3, 2026
Em um blog pessoal e em suas redes sociais, Medina apresenta registros de pessoas que se reuniram em frente à sede do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, tratando como legítimos os pedidos de revisão do processo eleitoral e de acionamento do “poder moderador” da caserna. Em algumas publicações, aborda casos de vandalismo como obra de “infiltrados” de esquerda, replicando um discurso frequente à época, e diz ter acompanhado os protestos violentos contra a prisão do cacique Tsereré na capital brasileira antes de voltar para casa.
Após os ataques de 8 de Janeiro, o vice de Renan postou uma nota em que condena os atos, mas sem entrar em detalhes sobre quem teriam sido os autores.
“O que se viu em Brasília (DF), ontem, é uma vergonha nacional. Os ataques insanos perpetrados por vândalos contra prédios públicos, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal devem ser repudiados, veementemente. A violência, a guerra, a intolerância política, o radicalismo são os piores caminhos a serem escolhidos para solução dos problemas de qualquer nação civilizada”, escreveu.
Na última quinta-feira (3), Renan Santos participou de um evento ao lado do Coronel Medina, em São Paulo, em que o apresentou como um exemplo de eleitor que abandonou a preferência por Jair Bolsonaro. O ativista do Movimento Brasil Livre (MBL) tenta desbancar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para chegar ao segundo turno contra Lula, mas ainda aparece distante nas pesquisas.
“O meu maior problema é a validação, para falar em termos meramente eleitorais, por parte das pessoas mais velhas. Dado que eu sou um candidato mais jovem e que desafia, em grande medida, os seus dois ídolos: Lula e Bolsonaro. Uma figura como o Aroldo é muito importante para mostrar que essas pessoas não precisam ficar presas nessa dicotomia”, disse Renan.
Renan apresentou o vice como um “paciente zero” da campanha: “O Aroldo já esteve no PL, no partido de Bolsonaro, e fez de maneira autônoma sua transição até o nosso grupo político. Acho que isso serve como uma espécie de exemplo, de paciente zero. Ele é o primeiro dos homens da geração dele, uma figura do universo militar, do sul do Brasil, com diferença de idade em relação a mim, e fez uma escolha consciente”.
Medina concorreu a vereador de Porto Alegre em 2024 pelo PL, mas alega que se decepcionou com Bolsonaro por “vários erros estratégicos cometidos, principalmente no que se refere à saúde pública”. Ele afirmou que teria sido “boicotado” pelo partido na eleição passada.
Fui convocado para um trabalho de Hércules. @RenanSantosMBL escalou-me como pré-candidato à vice-presidência do Brasil, durante evento social, em Caxias do Sul. Aceitei a honra da maior Missão da minha vida. Combater o bom combate ao lado do Renan, com a benção do mestre Jesus. pic.twitter.com/MfgL1LEO2A
— Aroldo Medina (@Aroldo_Medina) July 2, 2026
A filiação ao Missão ocorreu em abril deste ano, e o convite para a chapa ocorreu esta semana em Caxias do Sul (RS), quando ofereceu uma medalha ao candidato. “Oro todos os dias para o povo brasileiro olhar o Renan com respeito e ungi-lo na Presidência da República, porque eu sinto no meu coração. O Renan não é a terceira via. Para mim, ele é o único caminho a ser seguido”, declarou o militar, que chorou na entrevista.
Ao final do encontro, propôs a extinção do Ministério da Defesa: “Dê o status de ministro para os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Para combater o crime organizado, a interlocução do próximo presidente com os comandantes tem que ser direta”.