
A treta ganhou as redes sociais. Em sua coluna no UOL e em posts no Twitter, Reinaldo Azevedo bate em Demétrio Magnoli por causa de um artigo para a Folha de S.Paulo deste último.
“‘As agências reguladoras e o BC independente são tentativas de deep state no Brasil’, escreveu Reinaldo Azevedo, citando Walfrido Warde (FSP, 10/2). A crítica aos bancos centrais autônomos circula tanto no discurso da esquerda latino-americana quanto no da direita nacionalista europeia. Mesmo assim, é um argumento –e merece, portanto, exame de mérito”, sentenciou Magnoli.
“A esquerda populista fala em deep state para acusar os BCs de servirem ao ganancioso mercado. A direita populista fala nisso para acusar os BCs de servirem aos demoníacos ‘globalistas’. Uns e outros recorrem a teorias conspiratórias para exibir a democracia como farsa: a roupagem sob a qual opera o deep state. Democracia é só ditadura disfarçada –eis a mensagem de fundo”.
Segundo Reinaldo, “Demétrio não é um autor. É um tipo”:
Faz tempo que Demétrio Magnoli anda a buscar adversários e inimigos, inclusive na Folha. Para tanto, usa e abusa do recurso de acusar os seus alvos de ter um pensamento comprometido. Ele, obviamente, é independente. O recurso é pueril, mas serve para satisfazer a vaidade sem lastro do polemista. (…)
Suponho que eu e Walfrido, nessa sua categorização, façamos parte da “esquerda populista” — dada a impossibilidade, quero crer, de ser “direita populista’. Tem lá a sua graça. (…)
Magnoli é o exemplo acabado do “sectário de centro” — coisa que, na verdade, ele pensa ser. Não é. Passei a lê-lo com tédio profissional há muito tempo. Por quê? Porque sempre sei onde termina a sua ladainha “independente”. Qualquer que seja o tema, ele culpa os “suspeitos de sempre”, para lembrar frase de Louis, o policial corrupto do filme “Casablanca”. E os suspeitos de sempre, na sua pena, são os progressistas, onde quer que estejam — e isso inclui a Folha. (…)
Magnoli, o sectário de centro, precisa apelar à polarização que não existe mais para que ele próprio possa fazer sentido. Ah, Demétrio, esse trem já passou. Você já passou. A sua oposição é obsoleta. Não funciona mais mandar “prender os suspeitos de sempre”. (…)
Ademais, oponho-me firmemente ao que tem escrito, mas o julgava ao menos um bom leitor. Vejo que não. Para combater inimigos imaginários, também lê o que não está escrito. (…)
Magnoli, Bolsonaro está voltando daqui a pouco. Este “populista de esquerda” lhe recomenda: vá procurar sua turma. Seu “bolsonarismo harmonizado” não engana mais ninguém.