Programa de TV pública de MG que critica “ideologia de gênero” é denunciado ao MP

Atualizado em 26 de julho de 2024 às 19:28
O desenho “Danizinha Protetora” tem sido veiculado na TV pública de Minas Gerais. Foto: Reprodução

Uma deputada estadual e o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG) acionaram o Ministério Público (MP) do estado para investigar o governo do bolsonarista Romeu Zema (Novo) por veicular o programa infantil “Danizinha Protetora” na TV pública do estado. Para os autores das denúncias, a animação incentiva a intolerância de gênero.

A atração começou a ser exibida na última segunda (22) na Rede Minas, parte da Emissora Mineira de Comunicação (EMC), comandada pelo governo Zema. A protagonista da animação é inspirada em uma pastora da Igreja Batista Getsêmani, Daniela Linhares, dona dos direitos autorais da personagem.

A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) afirmou que a personagem “encarna a defensora dos valores cristãos”. Sua denúncia ao MP diz que a descrição do programa na grade da emissora diz que a protagonista tem o objetivo de “proteger as crianças contra as ameaças que podem tirá-las da sua infância” e “ensina a importância da confiança em Deus”.

A página da animação nas redes sociais tem posts críticos aos “defensores da ideologia de gênero” e lançou um ebook com o nome “Menino é Menino, Menina é Menina e Deus Nunca Erra”. Para a parlamentar petista, as publicações incentivam a intolerância à identidade de gênero.

Página da animação critica “ideologia de gênero”. Foto: Reprodução

“Essa intolerância promove discursos e práticas de ódio. Nenhuma criança nasce sabendo propagar LGBTfobia, racismo, misoginia, é na sociedade que essa posição se forma. E não pode ser o estado a fomentar isso”, diz o documento

Além da denúncia ao MP, ela encaminhou ofícios à Secretaria de Comunicação do estado e à EMC pedindo a retirada do desenho da programação. “Pode ser o caso de o Estado, que é laico, utilizar dinheiro público para potencializar um determinado grupo religioso”, afirma.

Na denúncia da Conedh, a entidade afirma que o desenho gera risco à liberdade de crença e “uma discriminação em relação a determinados grupos”. O MP afirma que instaurou uma notícia de fato e que o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos apura o caso.

Chegamos ao Blue Sky, clique neste link

Siga nossa nova conta no X, clique neste link

Participe de nosso canal no WhatsApp, clique neste link

Entre em nosso canal no Telegram, clique neste link