
Fazendeiros do sul do Pará divulgavam o Pix de uma loja de informática em Xinguara para arrecadar verbas para os atos golpistas promovidos por simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no Pará e em Brasília.
De acordo com informações do UOL, os depósitos eram direcionados para a USA Brasil de Xinguara. A loja é associada ao empresário bolsonarista Ricardo Pereira da Cunha, conhecido como “Ricardo da USA Brasil”. Ele foi citado por um dos três envolvidos no atentado a bomba em Brasília em dezembro.
Segundo as conversas privadas acessadas pela Repórter Brasil, empresários ligados ao grupo “Direita Xinguara”, movimento pró-Bolsonaro, espalharam a vaquinha na conta da USA Brasil para financiar ações golpistas ao menos desde novembro.
O empresário bolsonarista Enric Juvenal da Costa Lauriano, que participou pessoalmente do ataque às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro, também está entre os empenhados na arrecadação. Ele é dono da JP Construtora. Tanto Enric quanto Cunha não constam na lista de presos após o incidente de Brasília.
Em 7 de novembro do ano passado, Enric encaminhou em um grupo de WhatsApp o número de Pix da USA Brasil para “quem quiser ajudar nas despesas de Marabá”. O local, onde fica o 52º Batalhão de Infantaria de Selva, era um dos principais pontos de protestos golpistas no Pará.

Onício Lauriano, pecuarista com fazendas em pelo menos três municípios do sul do Pará e pai de Enric, também enviou no mesmo grupo, em 9 de dezembro, uma “rifa de um touro Senepol e uma bezerra Nelore em pro [sic] da manifestação em Brasília”. Segundo o UOL, a arrecadação foi feita pela conta bancária da USA Brasil.

Vale destacar que as investigações sobre a invasão dos Três Poderes trabalham com a hipótese de que os patrocinadores sejam ligados a atividades predatórias na Amazônia. Alguns dos bolsonaristas detidos afirmaram que suas despesas de viagem foram pagas por financiadores de Rondônia, Pará e Mato Grosso.