O silêncio constrangedor dos bolsonaristas sobre tarifaço de Trump

Atualizado em 4 de abril de 2025 às 17:30
Grupo de bolsonaristas em frente ao Congresso dos EUA. Foto: reprodução

Enquanto o governo federal brasileiro se mobiliza contra as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos nacionais, governadores e parlamentares que apoiam Jair Bolsonaro (PL) e Donald Trump mantêm silêncio sobre o tema. A medida anunciada na quarta-feira (2) estabelece uma sobretaxa de 10% sobre exportações brasileiras, com maior impacto nos setores de ferro, aço e café.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que comemorou publicamente a posse de Trump em janeiro usando o boné “Make America Great Again”, não se manifestou sobre o tarifaço que pode prejudicar a economia paulista. Em 2023, o estado exportou US$ 13,6 bilhões para os EUA, principalmente aviões, equipamentos de engenharia e sucos de laranja.

O silêncio também vem do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), cujo estado é um dos mais afetados pelas tarifas aos produtos siderúrgicos e de café. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que viajou para Washington para a posse de Trump, também evitou falar sobre o tema, mantendo foco em outros assuntos em suas redes sociais.

Tarcísio, que usou o boné MAGA, se calou sobre a medida que prejudica São Paulo. Foto: reprodução

Como medida para retaliar o “tarifaço” de Trump, o governo Lula conseguiu aprovar no Congresso a “Lei da Reciprocidade”. O projeto prevê que o Brasil pode retaliar países que o prejudicam, criando taxas  sobre importações de bens ou serviços além de suspender benefícios em acordos de propriedade intelectual.

Além do projeto aprovado, em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores e da Economia classificaram a medida de Trump como “violação dos compromissos dos EUA na OMC”, lembrando que os Estados Unidos tiveram superávit comercial de US$ 28,6 bilhões com o Brasil em 2024.

A “Lei da Reciprocidade” avançou no Congresso apesar da obstrução adotada pelo Partido Liberal, o de Bolsonaro. Os parlamentares da extrema-direita adotaram a sabotagem na Câmara como método para forçar os demais deputados a votarem a “Lei da Anistia”.

Quem não se calou foi o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que fugiu para os EUA, e em detrimento aos interesses do Brasil, defendeu publicamente as tarifas estadunidenses.

“Não é retaliação, isso se chama reciprocidade”, argumentou Eduardo em suas redes sociais. “Para o Brasil tratar isso como uma guerra comercial e revidar contra a maior economia do mundo seria preciso criar uma carga tributária ainda maior.”

O setor empresarial, no entanto, demonstra preocupação. As tarifas chegam em momento delicado para as exportações brasileiras, embora o impacto seja menor que o aplicado a países asiáticos (30%) e europeus (20%).

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