
Começou a temporada de alienação induzida: não importa quantos pés atrás eu tenha com a Globo, eu simplesmente não resisto a um reality cheio de tramoias, barracos e baixarias de todos os tipos.
Desculpem, colegas do doutorado em Crítica Cultural. Desculpem, leitores intelectuais – aliás, todo ano eu escrevo nesse mesmo tom confessional antes de comentar o Big Brother Brasil, mesmo sabendo que nove entre dez brasileiros – inclusive intelectuais – também não resistem. Prometo que será a última vez, porque nada mais cafona do que se desculpar por gostar de cultura de massas (convenhamos, isso é meio 2012).
Aliás, a vigésima segunda edição do BBB promete ainda mais confusão generalizada, do jeito que a Globo gosta: em ano eleitoral, pandemia e um 2022 incendiário, o casting reúne 50% de bolsonaristas e/ou isentões com tendências à direita e 50% de progressistas.
As escolhas parecem ter sido certeiras: uma gay nordestina, seguindo a receita de Gil do Vigor – que deu mais do que certo e rendeu audiência histórica à emissora – convivendo com uma cantora sertaneja bolsonarista e consabidamente oportunista. Tem como dar certo?
Ao escalar Naiara Azevedo, cantora sertaneja cancelada nos primeiros 5 segundos de programa, a Globo inaugura uma estratégia particularmente cruel – e, ao mesmo tempo, genial: pela primeira vez na história do reality, uma participante parece ter sido escalada para ser eliminada logo nas primeiras semanas (com sorte, batendo recorde de rejeição e audiência).
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Naiara Azevedo se envolveu em polêmica e anunciou apoio ao presidente Bolsonaro
Além de bolsominiom e desprovida de carisma, Naiara está envolvida em uma briga pública com a família de Marília Mendonça. O irmão da cantora, morta em um acidente no ano passado, acusa Naiara de oportunismo.
A sertaneja e futura ex-bbb anunciou que lançará, durante o programa, uma música gravada com Marília Mendonça, mas não houve pedido formal ou autorização da família – se isso não é oportunismo, eu não sei o que é.
“Todo mundo já sabia que você entraria no BBB pra se promover. E eu sei que você não vai tirar o nome da minha irmã da boca. Então eu vou fazer de tudo pra que você não fique dentro da casa. Eu não vou aceitar não gente, ninguém vai ganhar em cima dela não”, escreveu João Gustavo, irmão de Marília Mendonça, no Twitter.
Nada melhor para a Globo do que uma participante envolvida em uma treta pública – que já circulava nos bastidores do Projac antes de chegar ao Twitter. Nada melhor para a Globo que em toda edição haja uma Karol Conká, rejeitada, mas assistida e rentável.
A edição mal começou e Naiara Azevedo é uma candidata fortíssima à rejeitada da edição. Ao entrar na casa, na noite de ontem, ela bateu no chão e gritou “avisa que eu cheguei, p*rra”, sendo ignorada pelos participantes e rendendo memes nas redes sociais que colocaram o nome da bolsominion tosca e intérprete de “50 reais” entre os assuntos mais comentados do Twitter.
Antes das primeiras 24 horas de reality, já existe uma torcida anti-Naiara: isso nunca aconteceu antes com nenhum outro participante, e não está acontecendo à toa dessa vez.
Ao entrar em um reality pra se promover (razão pela qual a maioria dos participantes do “camarote” topam essa experiência no mínimo grotesca), a bolsominion que jamais se arrependeu cai no conto do vigário e se torna candidata a mamacita 2.0.
Depois de render muita audiência à Globo e enterrar o que resta da própria carreira em poucas semanas de confinamento, Tadeu Schmitt talvez lhe dê 50 reais antes de eliminá-la com um discurso meio merda – ou ao menos este parece ser o plano.
Nada menos, é claro, do que uma bolsonarista merece.
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