Matou 77 e agora ri?

Atualizado em 17 de abril de 2012 às 19:38
Breivik

 

Anders Breivik, 33 anos, é filho de uma Europa visceralmente antiislâmica. Em seu mundo fanático e distorcido, os muçulmanos estão prestes a dominar a humanidade. Paradoxalmente, foi inspirado num grupo islâmico, o Al-Qaeda, que ele preparou o duplo atentado em que matou 77 pessoas na Noruega, primeiro usando uma bomba, depois uma arma. A maior parte as vítimas eram jovens militantes de um partido que, segundo Breivik, favorecia a expansão muçulmana.

Breivik cresceu num lar quebrado. Seu pai, um diplomata, se divorciou de sua mãe e sumiu. Faltou provavelmente a ele ajuda psiquiátrica.

Tudo isso posto, e feitos os descontos, não há outra sentença para Breivik que não seja a morte. Se houvesse ressurreição, ele deveria morrer várias vezes. Ok, exagero. Uma vez basta. Mas menos que isso é pouco demais.

Nos dois primeiros dias de seu julgamento, em Oslo, Breivik tripudiou. Riu. Fez saudações fascistas. Disse que faria de novo se pudesse. Afirmou que agiu por bondade. Invocou legítima defesa. E reivindicou a absolvição.

Que sentido existe em permitir que ele continue vivo?

Mas Breivik não vai morrer.

Se for considerado louco, vai para uma clínica psiquiátrica. Se for julgado mentalmente são, a pena máxima na Noruega são 21 anos de prisão, que podem ser estendidos caso o entendimento seja que ele ameace a sociedade. Clínica psiquiátrica e cadeia, na Noruega socialmente tão desenvolvida, são quase spas.

Em ambos os casos, o contribuinte norueguês será forçado a sustentar Breivik em nome da civilização. E o resto da humanidade será forçado a suportar seu riso sarcástico e assassino.

Civilização?

Existem alguns momentos – raros, é verdade, mas fundamentais – em que nada é tão positivo para a civilização como uma sentença de morte clínica, precisa, justa. Exata. O caso de Breivik se enquadra aí.

No mundo perfeito, não haveria pena de morte. Mas o mundo, infelizmente, não é perfeito.