
A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) usou seu esquema de espionagem ilegal para monitorar um jornalista de Brasília. Ele faz parte de uma lista de políticos, jornalistas e funcionários públicos que foram vigiados pelo programa FirstMile durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação é da coluna de Rodrigo Rangel no Metrópoles.
Pedro César Batista é um dos vigiados pelo governo Bolsonaro. Jornalista e consultor de comunicação, ele ajudou a organizar protestos contra o ex-presidente e prestou serviços para o Ministério do Desenvolvimento Agrário durante a gestão da presidente Dilma Rousseff.
O jornalista, que se descreve como “comunista” nas redes, também trabalhou na Casa Civil do governo distrital e foi assessor de imprensa da Câmara local. Ele não é filiado a nenhum partido e também foi um dos fundadores do Comitê Popular Fora Bolsonaro na capital.

Batista afirma que se tornou alvo da Abin por conta de sua militância e chama o episódio de “perseguição”. “Dedicar-se à defesa da democracia, combater o arbítrio e desejar uma sociedade mais justa virou ilegalidade para alguns setores que dirigiram o país e para outros que ainda dirigem. Usam o Estado contra quem defende a vida e a dignidade humana e se insurge contra a corrupção e o arbítrio”, avalia.
Ele também foi militante no movimento estudantil na ditadura militar, sendo espionado, durante o regime, pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), que deu origem à Abin após a democratização.
Além de Batista, o jornalista Afonso Mônaco, repórter policial da TV Record, também foi vigiado pelo órgão. José Vitor Imafuku, dirigente do PDT paulista e organizador de manifestações pelo impeachment de Bolsonaro no estado, também está na lista de monitorados.