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Padre é ameaçado por grupo de extrema-direita católica no Rio

Padre Wanderson José Guedes
O padre Wanderson José Guedes

O padre Wanderson José Guedes, da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no bairro da Glória, no Rio, foi ameaçado por um grupo de católicos de extrema-direita. Os ataques vêm do Centro Dom Bosco (CDB), um templo católico fundamentalista.

O pároco avisou a polícia que o grupo estaria se organizando, por meio do Telegram, para impedir a missa que ele realizará na quinta-feira de Páscoa, no próximo dia 17.

“Depois de dois anos parados, vamos voltar com nossa Semana Santa, seguindo os moldes das semanas santas mineiras. Haverá  procissões e cerimônias litúrgicas diversificadas. Porém, depois da cruzada dos componentes do CDB, temos sempre sofrido ataques. Aliás, eles já estão se organizando pelo Telegram”, diz o padre Wanderson.

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O motivo da ameaça ao padre Wanderson

Padre Wanderson durante cerimônia religiosa
Padre Wanderson durante cerimônia religiosa
O religioso é conhecido por incoporar elementos do Seder de Pessach, considerada a última ceia celebrada por Jesus na liturgia normal.

As mulheres também participam ativamente da missa, que tem, inclusive, o ritual de lava-pés realizado pelo padre em fiéis católicos. Trata-se alusão ao mesmo ato praticado por Jesus na Última Ceia.

Antibolsonarista, padre montou presépio com Nossa Senhora e Jesus negros

Wanderson também é famoso por criticar abertamente o presidente Jair Bolsonaro (PL) e por ter montado, no Natal de 2020, um presépio que mostra Nossa Senhora e o menino Jesus negros.

No ano anterior, ele realizou uma cerimônia com cantos afro-brasileiros e toque de atabaques. Foi o que motivou as primeiras ameaças recebidas pelo pároco.

Na época, ele denunciou os ataques em entrevista ao jornal O Globo. “Os radicais querem uma Igreja vertical, hermética e moralista. E Jesus Cristo não quis uma Igreja assim. O Brasil é negro em sua maioria, teve uma forte influência africana. Não podemos querer um rito genuinamente romano porque somos sincréticos. As mesmas pessoas que vêm às missas vão aos terreiros. A nossa liturgia não pode ser europeia. O Brasil é essa mistura de religiões, de raças, de ritos, com múltiplas formas de ser e de existir”, afirmou.

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