Eliane Cantanhêde, a cultura patriarcal e os limites do poder feminino. Por Carol Proner

Atualizado em 13 de novembro de 2022 às 11:21
Eliane Cantanhêde sorrindo e posando de braços cruzados e roupa preta
Eliane Cantanhêde – Divulgação

Por Carol Proner

Curiosamente, no dia em que a jornalista Eliane Cantanhêde proferiu um discurso altamente machista contra Janja e contra outras ex-primeiras-damas brasileiras, eu terminava de assistir o último capítulo de “Alba”, versão espanhola e melodramática da série turca Fatmagül’ün Suçu Ne, que igualmente trata de violação sexual.

A impressão que tive foi a de que a jornalista da GloboNews bem poderia se encaixar no papel da mãe do abusador que, até o final da trama, defendeu o comportamento prepotente do herdeiro, exercido, em último ato, como crime sexual. A mãe protegeu o filho tão cegamente que foi incapaz de reconhecer ter sido, ela própria, vítima de abusos semelhantes durante toda uma vida.

Não me interessa aqui ofender a jornalista, que certamente saberá reconhecer, no íntimo, as inúmeras vezes em que precisou enfrentar-se à cultura patriarcal para trilhar caminho próprio. Mas chama a atenção quando uma mulher esclarecida e bem posicionada adensa a cultura machista e cerra fileiras para consolidar o poder masculino e os limites do poder feminino.

Em última instância, a jornalista cultiva a culpa feminina, a culpa da mãe machista defendendo um código de valores para justificar as próprias escolhas, a culpa como trunfo do patriarcalismo para desencorajar mulheres ao exercício da liberdade.

Publicado originalmente no Facebook de Carol Proner

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