
A desembargadora federal Adriana Pileggi, que autorizou a retomada de três bets, compartilhou ataques ao PT e mensagens em defesa da família Bolsonaro no Facebook.
As publicações foram reunidas pelo JOTA, que também identificou o compartilhamento de conteúdo classificado como falso por uma agência de checagem. Integrante do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), Pileggi concedeu liminar favorável à CDA Gaming, dona da Casa de Apostas, da Betsul e do Jogo Online.
Em um comentário, a magistrada afirmou que “não há governo mais corrupto do que os do PT”. Ao discutir as suspeitas de rachadinha envolvendo Flávio Bolsonaro, disse que o dinheiro “supostamente movimentado” pelo senador era “dinheiro de pinga comparado aos desvios do mensalão, do petrolão, compra de Pasadena”.

Outro compartilhamento, de janeiro de 2021, mostrava um homem montado em um burro, com bandeiras do PT e de apoio a Jair Bolsonaro. Na montagem, o personagem dizia: “Eu sou Bolsonaro, o burro é PT”. Pileggi também publicou um comentário ofensivo a Dilma Rousseff e compartilhou uma imagem com fotografias modificadas de políticos de esquerda.
Entre os materiais identificados estava ainda um vídeo de Alexandre de Moraes lendo ameaças e ofensas dirigidas a ministros do STF durante o julgamento do inquérito das fake news. A publicação apresentava as frases como se fossem opiniões do próprio ministro. O Facebook incluiu um aviso de informação falsa e uma checagem da agência Lupa.
A maior parte das postagens e dos comentários é anterior a 2024. Pileggi tomou posse como desembargadora em 2023, mas integra a Justiça Federal da 3ª Região desde 1992, quando passou a atuar como juíza.
A Resolução 305/2019 do Conselho Nacional de Justiça proíbe magistrados de manifestar apoio ou crítica públicos a candidatos, lideranças e partidos políticos nas redes sociais. A norma também recomenda que juízes evitem compartilhar informações sem convicção sobre sua veracidade.
A liminar concedida à CDA Gaming afastou, para a empresa, efeitos da MP 1.394/2026, editada por Lula para proibir as bets. A decisão permitiu restabelecer provisoriamente domínios e serviços operacionais, financeiros e de pagamento. Ao fundamentá-la, Pileggi criticou a interrupção da atividade e a ausência de devolução do valor pago pela outorga.
O perfil da desembargadora estava aberto até a manhã desta sexta-feira (6) e se tornou privado após as tentativas de contato do JOTA pelo Facebook e pelo gabinete. Até a publicação da reportagem, às 14h39, atualizada às 14h51, a magistrada e seu gabinete não haviam respondido aos questionamentos do veículo.