
Ao divulgar nova rodada de pesquisas sobre a avaliação do governo, a Quaest chamou atenção por apresentar um número de desaprovação que, mesmo dentro da margem de erro de 2%, é melhor do que o apontado pela AtlasIntel.
Com 54% de desaprovação, aplicando-se o intervalo de confiança de 95%, o número efetivo fica em torno de 51,3%. Isso colocaria a pesquisa da Quaest praticamente empatada com a da Atlas, que indica 53,6%, mas com margem de erro menor: apenas 1%.
A avaliação mais crítica recai sobre o intervalo entre as pesquisas. A Quaest divulga sua pesquisa a cada três meses, o que pode ter acentuado a percepção de uma mudança brusca. Se a empresa tivesse feito uma rodada há 20 dias, a tendência era de que os números fossem piores para o governo, o que indicaria uma recuperação mais gradual.
A Atlas, por sua vez, divulga mensalmente suas medições e mostra uma curva mais estável. A coincidência entre os números da Quaest e o limite inferior da margem da Atlas chama atenção. O comportamento dos dados indica que o governo estaria, de fato, revertendo parte da rejeição.

Há quem veja na estratégia da Quaest uma atuação mais voltada ao mercado e à narrativa do momento. Apesar disso, não há indícios de manipulação grosseira dos dados. “Eles vendem o que precisa ser vendido, mas não mentem descaradamente”, resume uma fonte.
A leitura é de que o cenário político começa a favorecer o Planalto — e os números, aos poucos, vão acompanhando.