
A deputada estadual Lohanna França (PV), que faz oposição ao governo mineiro, acionou nesta quinta-feira o Ministério Público Eleitoral (MPE) contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Segundo a parlamentar, o chefe do Executivo teria recorrido a propaganda eleitoral irregular ao divulgar um vídeo nas redes sociais com temática religiosa, produzido com auxílio de inteligência artificial, defendendo a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Zema tem sido cotado como possível presidenciável.
Zema lançou um hino com roupagem gospel em apoio à anistia dos participantes dos atos golpistas, num gesto interpretado como mais uma sinalização ao eleitorado bolsonarista.
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O conteúdo publicado pelo governador nesta quarta-feira traz uma composição musical com estética religiosa. Um dos trechos da letra diz: “Está na hora da gente escolher que Brasil vai prevalecer. Se é o Brasil onde o justo é punido e o povo é protegido, se é o país onde bandido é solto e o rival vai preso com medo do voto”. O vídeo é acompanhado de imagens de bandeiras do Brasil, símbolo frequentemente associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao final, surge uma imagem gerada por IA representando Zema na Praça dos Três Poderes, acompanhada da declaração: “Eu escolho o poder do perdão. Eu escolho a liberdade. Eu escolho a anistia.”
A deputada questiona o teor do vídeo e argumenta que a legislação vigente não permite o uso desse tipo de ferramenta em campanhas, reforçando que o material tem natureza eleitoral. Para ela, trata-se de uma tentativa precoce de angariar apoio político.
“Vale dizer que a pré-campanha eleitoral inicia-se antes mesmo do ano eleitoral, sendo amplamente noticiado pela mídia que o Governador de Minas já se movimenta nos bastidores para consolidar sua candidatura, ainda que não tenha feito declaração formal”, diz um trecho da representação apresentada por Lohanna.
A parlamentar também pede que o MPE investigue os custos envolvidos na produção e verifique se servidores públicos participaram da elaboração do conteúdo. Segundo ela, é necessário apurar o possível uso da estrutura do governo para fins eleitorais.
— “O vídeo extrapola qualquer manifestação política legítima e entra no campo da propaganda antecipada, tentando consolidar a imagem do governador como sucessor natural do bolsonarismo e, consequentemente, um candidato já em campanha” — afirma a deputada.
O Governo de Minas ainda não se manifestou.