“Caça aos comunistas”: bolsonaristas do Mackenzie ameaçam estudantes em ato pró-Lula

Atualizado em 8 de outubro de 2026 às 19:32
Entrada da universidade Mackenzie na Rua da Consolação

Estudantes denunciaram ameaças de um grupo de extrema direita de alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie contra o ato em apoio à reeleição do presidente Lula (PT), marcado para as 19h desta quinta-feira (8), na Rua Maria Antônia, no Centro de São Paulo. A manifestação foi convocada pelo coletivo Mack com Lula e pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) Rubens Paiva.

Uma captura de tela obtida pelo DCM mostra um grupo de WhatsApp chamado “Caça aos comunistas”, criado na terça (6). Formado por estudantes bolsonaristas do Mackenzie, o grupo usa uma imagem com o nome da universidade e a palavra “anticomunismo”.

O nome remete ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC), organização paramilitar de alunos da faculdade que participou dos ataques da Batalha da Maria Antônia, em outubro de 1968, durante a ditadura militar. O CCC, que recebia treinamento do Exército Brasileiro, foi fundado pelo policial civil e estudante de Direito Raul Nogueira de Lima, que se tornaria um torturador no Departamento de Ordem Política Social (DOPS) conhecido como “Raul Careca”.

Na descrição, os participantes convocam uma mobilização no mesmo horário do ato pró-Lula. “Galera, quinta-feira às 19h o pessoal vai fazer uma manifestação pró-Lula lá na Maria Antônia. A gente vai colar no mesmo horário para não deixar o espaço só para eles e fazer o nosso contraponto contra o governo e o comunismo”, diz o texto.

“Todo mundo vai de camisa do Brasil para a gente se juntar, se reconhecer fácil na rua e mostrar a nossa força”, conclui a mensagem, que inclui links para perfis chamados “Mack anticomunismo” no Instagram e no TikTok.

Descrição do grupo “Caça aos comunistas”

O ato acontece após a reitoria do Mackenzie vetar manifestações político-partidárias dentro do campus. O comunicado, divulgado na terça-feira (6) e assinado pelo reitor Marco Tullio de Castro Vasconcelos, alegou preocupação com a segurança da comunidade acadêmica e ausência de autorização prévia para os eventos.

A decisão veio depois da convocação de uma assembleia do coletivo Mack com Lula no Bosque da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Os estudantes pretendiam discutir ações para o segundo turno. A manifestação desta quinta foi marcada fora do campus, e a agenda pública de mobilizações indica a concentração às 19h, em frente ao Teatro da USP (TUSP), na Maria Antônia.

A Batalha da Maria Antônia, em 1968, envolveu estudantes da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e integrantes do CCC, com participação de alunos do Mackenzie e agentes da repressão. O prédio da USP foi incendiado, e diversos estudantes ficaram feridos.

O secundarista José Guimarães, de 20 anos, morreu atingido por um tiro em 3 de outubro daquele ano. A Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo registra sua morte no conflito e a atuação de membros do CCC e do DOPS.

Davi Nogueira
Davi tem 25 anos, é editor e repórter do DCM, pesquisador do Datafolha e bacharel em sociologia pela FESPSP, além de guitarrista nas horas vagas.