Agente da Abin mandou cinegrafista apagar imagens do tiroteio em Paraisópolis

Atualizado em 26 de outubro de 2022 às 18:55
À esquerda, o agente licenciado da Abin Fabrício Cardoso de Paiva, assessor da campanha a governador de Tarcísio, à direita. Foto: Reprodução

Um agente licenciado da Agência Brasileira de Inteligência, foi quem mandou o cinegrafista da Jovem Pan apagar as imagens do tiroteio que aconteceu em Paraisópolis, na zona oeste de São Paulo, na semana passada. Identificado como Fabrício Cardoso de Paiva, ele é assessor da campanha do candidatado ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Fabrício também ocupou cargo de nomeação política, a convite do candidato, no Ministério da Infraestrutura desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

A identificação foi confirmada ao The Intercept Brasil por uma fonte que trabalha no governo. A voz de Paiva foi reconhecida por ex-colegas de trabalho.

A existência do áudio foi revelada na última terça-feira (25), na gravação, é possível ouvir Paiva dizendo ao cinegrafista da emissora que ele deve apagar as filmagens do momento que ocorre o tiroteio.

Procurada para comentar o caso, a Abin confirmou que um servidor da agência, licenciado, participa da campanha de Tarcísio: “O trabalho atual deste servidor não é desempenhado em nome da agência, a qual não tem qualquer ingerência sobre a segurança da campanha do candidato. A Abin reitera que não há nenhum servidor em exercício na Agência exercendo a função de segurança de candidatos a governos estaduais”.

A agência disse ainda que “o policial citado nas reportagens sobre o caso de Paraisópolis, apontado como autor dos disparos, não faz parte do quadro de pessoal”.

O ex-ministro também foi procurado e em nota disse que “as contratações foram feitas por escolha da campanha, que tem a premissa de selecionar todos os prestadores de serviço desde que sejam seguidos todos os ritos estabelecidos pela lei eleitoral, bem como a devida prestação de contas ao TSE”.

“O servidor da Abin que acompanha Tarcísio está em licença não remunerada, portanto, não exerce nenhuma atividade em nome da agência”, acrescentou a nota.

A campanha afirmou ainda que o pedido de apagamento das imagens foi feito “para não expor as pessoas que estavam lá” no local do tiroteio e que ele “foi feito em frente a todos que lá estavam, incluindo jornalistas de outras emissoras”.

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