
A presença constante do nome de Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais da Quaest e da Atlas Intel, mesmo inelegível, levanta sérias questões sobre a credibilidade e a ética dos institutos.
A persistência da figura de Bolsonaro nas sondagens parece ignorar uma premissa básica da política brasileira: o ex-presidente está, para todos os efeitos, excluído de qualquer cenário eleitoral.
O que estamos vendo, portanto, é uma verdadeira distorção da realidade. Cada vez que os institutos incluem o nome do sujeito, a narrativa sobre sua relevância política é reforçada, criando a sensação de que ele ainda tem um peso eleitoral significativo e de que a eleição de 2026 será “roubada” se ele não concorrer, já que é o único que pode fazer frente a Lula.
Isso não é apenas um erro técnico, mas uma manipulação das percepções públicas.
Inseri-lo no cenário de 2026 apenas dilui o foco da discussão política e alimenta expectativas falsas e teorias conspiratórias. O ex-presidente, é claro, não reclama. Na verdade, ele agradece.
Cada vez que seu nome aparece nos levantamentos, ele ganha visibilidade e legitimidade para reclamar. Aproveita para negociar seu apoio e sua influência a preços mais altos. Seu apoio a outros candidatos se torna mais valioso quando ele é constantemente lembrado nas pesquisas, mesmo sem um cargo eletivo.
Os institutos estão apenas alimentando uma narrativa conveniente para gerar mais atenção e vender mais dados a quem está disposto a pagar.