
A mãe de Geddel Vieira Lima tem alguma razão ao dizer que o filho não é bandido e sim doente.
A doença de Geddel se chama roubalheira e ele padece disso desde a mais tenra idade — sem ter sido jamais questionado por sua genitora.
A razão é simples: ela se beneficiou da patologia do menino.
Em 1983, aos 25 anos, recém-saído da faculdade de Administração de Empresas, Geddel foi indicado para o posto de diretor da corretora de valores do Banco Estadual da Bahia, Baneb.
Era seu primeiro cargo público.
Segundo o Globo, uma auditoria interna pilhou um desvio de R$ 2,7 milhões (em valores atualizados), fruto de um esquema que teria beneficiado Geddel, seu irmão, o hoje deputado Lúcio Vieira Lima, seu pai, o ex-deputado Afrísio Vieira Lima, e ela mesma, mamãe Marluce Quadros Vieira Lima.
Geddel foi demitido. Eleito deputado federal em 1990, foi citado no caso dos “Anões do Orçamento”, acusado de manipular emendas para beneficiar empreiteiras. A CPI que investigou o caso, em 1993, o absolveu.
A carreira gloriosa no crime culminou nos 51 milhões de reais encontrados no apartamento de Salvador e na cana.
Em janeiro de 2016, Dona Marluce passou a receber uma pensão de R$ 26.000,00 da Caixa de Previdência Parlamentar do Ceará por conta de 16 anos de contribuição de seu marido, o ex-deputado Afrísio Vieira Lima, morto naquele mês.
Não que precisasse. “Meu pai casou com uma mulher rica”, falou Geddel.
A declaração foi dada em 2 000 à Folha, que investigava denúncias de Antônio Carlos Magalhães, então presidente do Senado, de irregularidades nas compras de fazendas de Geddel Vieira Lima.
Como diria o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, trata-se de um “chefe de família, com carreira política elogiável”.